Trabalhando com Games: Diário de um Lojista 01

Trabalhando com Games: Diário de um Lojista 01

Postador: Data: Publicado: 22 de janeiro de 2012 - 3:07 PM Categoria: Especial

Olá pessoal!

Está no ar Trabalhando com Games. Nesta série especial do Grupo Game Sênior, um profissional da área irá falar como é sua rotina de trabalho com o videogame. O primeiro relato é do sênior André Nesman, que possui uma loja aqui em São Bernardo do Campo – SP. Confira agora a primeira parte do Diário de um Logista.

Então o seu sonho é trabalhar com games, não é? Pois é, eu particularmente sempre sonhei em trabalhar com games quando criança. Passava praticamente o dia inteiro infernizando a vida do Edson na extinta Progames aqui de São Bernardo do Campo. Ficávamos o dia inteiro conversando e jogando, junto com outros amigos que sempre estavam lá. Qualquer loja de games que eu encontrava  por aí, fazia amizade com os donos, e achava eles os “reis”. Sempre achei que era o paraíso estar cercado por jogos. Foi nessa época que eu decidi que queria fazer algo relacionado ao que eu mais gostava.

Hoje em dia, consegui realizar este sonho, ainda que depois de muito tempo, mas aqui estou. Aquele sonho que se perdurou durante anos e gerações a frente finalmente estava realizado. Porém, para quem imagina que trabalhar com games é um paraíso, não consegue enxergar o outro lado da moeda, onde é preciso lidar com fatores normais de um trabalho.  Estresse, cansaço, preocupação, pontualidade, disponibilidade… Sim, nem sempre trabalhar com games é pensar em jogar o dia inteiro. Existem momentos de luta e momentos de glória, de felicidade e de tristeza, de ânimo e desânimo. Particularmente, estou trabalhando com a loja há 4 anos, e ainda não tirei uma semaninha de folga sequer durante este tempo, e com toda sinceridade, jogador também precisa de férias. Sim, nem tudo na vida de um logista de games é somente jogo, e convenhamos, haja paciência para conseguir ficar 24 horas falando de videogame. Quando digo 24 horas, é literalmente mesmo, pois quando não estou na loja, pessoas nas ruas acabam me abordando com perguntas sobre games, o que acaba me irritando um pouco. Se era este o fardo que eu queria carregar quando era novo, está aí ele nas minhas costas.

O mais impressionante é que eu amo os games. Praticamente toda a minha vida fora dedicada aos games, e um sonho que eu tinha acaba se tornando parte de um pesadelo que eu jamais iria imaginar. O que fica parecendo é que todos os monstros que já matei até hoje nos games voltaram para me atormentar. Ao mesmo tempo que estou cercado de monstros, estou com heróis que me fazem sentir bem quando estou no meu ambiente de trabalho, e os dois acabam pesando. Contudo, vamos dividir as coisas e ver seus lados positivos e negativos.

Quando estamos com uma loja de games, você é bombardeado por comentários, como “Você deve jogar o dia inteiro aqui” ou então “Tem trabalho mais fácil e divertido do que este?”. Com certeza, se trabalho com uma loja de games, sou obrigado a jogar e conhecer os games, o que é inevitável, e essa é a parte boa de se trabalhar com games. Realmente é divertido poder testar um game lançamento e jogar ele até o fim em pleno horário de trabalho. Ao mesmo tempo que considero isso como uma diversão, considero também como parte do meu trabalho. É importante testar os novos jogos que chegam para verificar a possibilidade de falhas (no caso dos jogos usados) e também para conhecer o game e poder explicar ao cliente o estilo do jogo e outras informações. E se você pensa que só vai jogar os games mais hardcores, prepare-se para enfrentar muito tempo de jogatina em Ben 10, Hello Kity e todos aqueles jogos que a molecada chora para o pai comprar. Sim, o peso de precisar testar os vários jogos que chegam vão desde os mais hardcores até os mais casuais, sem excessão. Mesmo com este peso de ser preciso testar vários jogos que chegam, desde os jogos bons aos ruins, o bom mesmo é a hora de encontrar os amigos que aparecem na loja, e de repente, Super Street Fighter IV está ligado com todos se confrontando.

Saindo da parte da jogatina, existe uma outra vantagem que qualquer colecionador gosta. Muitos clientes acabam querendo se desfazer de consoles antigos pelo fato de ter comprado um console mais atual. E é nessa leva que acabei conseguindo aumentar considerávelmente a minha coleção com consoles completos e em tão bom estado de conservação que chega a impressionar. O melhor de tudo isso? Os clientes sempre pedem uma pequena quantia por essas preciosidades. É difícil conseguir o primeiro modelo do Mega Drive totalmente completo por 50 reais, ou então um Atari 2600 com caixa e tudo mais por 30 reais. Logicamente existem também os absurdos, como clientes que pensam que um PSOne é raro e chegam a pedir mais de 300 reais em um console com a caixa rabiscada pelo filho e incompleto.

Fazendo uma boa administração, possuir uma loja de games pode se tornar o seu ganha pão com algo que todos os que jogam video game sonham. Sonhar com um tempo a mais para jogar os seus games preferidos durante o trabalho se torna realidade quando se trabalha neste ramo, e com certeza, é bem prazeroso trabalhar rodeado por games. Porém, nem sempre os games se demonstram o paraíso, e o outro lado da moeda pode ser tão dolorido quanto trabalhar em uma empresa com o seu chefe no pé. No próximo post do Diário de um Logista, estarei comentando sobre a difícil tarefa de se administrar uma loja de games e como o monstro de 10 cabeças pode te afetar no dia a dia da rotina de uma loja de deste segmento.

Espero que até lá não seja um Game Over pra mim.

  • rafaelmarques59

    Sonho de criança mesmo.
    Imagino que a realidade seja dura e penosa diante de um mercado
    que privilegia os jogos piratas (isso está mudando, graças a Deus).

    Com preços justos esse mercado promissor verá a luz do dia novamente, como nos tempos gloriosos da Progames e de tantas outras locadoras.

    A Trok Games em Santo André é um ótimo lugar para se estender esse diario.

    No aguardo do próximo.

    • Andre Nesman

      Salve Rafael. Para quem trabalha com games, realmente é difícil e não é sempre aquele sonho que enxergávamos quando criança. A vantagem é que você pode quebrar a rotina do trabalho fazendo o que mais gosta, que é jogar. hehe….

      Abraço!

  • aki é rock

    Boa matéria essa viu curti mas eu acho que esse é o pensamentos de muito quando ve alguem trabalhando com games .Eu mesmo já pensei em trabalhar com isso na adolescência mas vendo a rotina acabei percebendo que é muito estressante fora que ficar o dia todo comentando sobre jogos .
    Vou ficar no aguardo da segunda parte da continuação dessa matéria galera continue assim com esse trabalho excelente ok .

    • Andre Nesman

      Obrigado pelo comentário. Realmente as coisas não são fáceis como se pensa em uma loja de games. É como eu falo, às vezes o paraíso não é tão bonito assim.

  • http://www.facebook.com/fmjasinski Fernando Maurício Jasinski

    Parabéns pelo blog! Ontém mesmo estava pensando sobre o mercado de games e como estão as lojas do ramo. Parece-me que o mercado voltou a ser viável economicamente. Enfim, a era das trevas da pirataria acabou (fim da era PSX e toda era PS2), não que esta não mais exista, mas o público que voltou a adquirir jogos originais já torna o mercado novamente viável. Ainda lembro que pagava 204 reais nos idos de 2000 por um jogo original de n64, valor que se monetariamente atualizado hoje seria algo em torno de 500 reais! Sob esse prisma, os jogos hoje estão custando pelo menos metade do preço que custavam a 12 anos atrás, sem contar os jogos promocionais e o grande trabalho que a Microsoft tem feito no país. Jogos da atual geração por 79, 99 e 129 reais, não vejo preço mais acertado e justo para consumidores e produtores, só falta a maior colaboração do governo.
    Abraço.

    • Andre Nesman

      Olá Fernando. Realmente o mercado de games hoje em dia está começando a ver a sua lua cheia, o que parecia algo impossível, tendo em vista o pesadelo da pirataria na época do PSX/PS2. É algo muito importante, pois os gamers estão enxergando as vantagens de se ter um produto original e o preço, que está bem mais acessível. O problema ainda são algumas pessoas, que preferem abrir mão de certas vantagens, como jogar online e ter a segurança da garantia oficial, e preferem a garantia árabe. Além disso, eles não pensam que vão pagar caro em desbloqueios, atualizações, manutenção de aparelhos desbloqueados e outras frescuras só para jogar um game de 10 reais. Mesmo assim, o Brasil está mudando em relação aos games, mas ainda tem muito o que ser feito.

      Abraço e Obrigado pelo comentário.

  • http://www.facebook.com/teacherkleber Kleber Danielski

    Boa André, sempre gosto de ler seus textos!

    • Andre Nesman

      Olá Kleber. Muito obrigado mesmo, de coração. Abraço!!

  • Jorge Miashike

    E aí Nesman, fiquei espantado com este post, a impressão que me deu foi a de que você mais se arrepende do que tem orgulho de ter uma loja de games. Foi por causa da loja que teve uma época que você ficou meio desgostoso com games?

    • Andre Nesman

      Grande Mestre Jorge….. Bom, eu não me arrependo de ter uma loja de games, ainda porque eu estou trabalhando com o que eu sempre sonhei. Não tenho patrão para ficar no meu pé e ainda por cima ainda consigo um tempo para jogar. O problema é que desde que abri a loja, minha vida se tornou 24 hrs de video games, e por mais que eu tente fugir dessa rotina, não consigo. No próximo post estarei explicando tudo o que me aconteceu até hoje a respeito da loja, pois mesmo com o orgulho de ter uma loja de games, existe uma certa revolta engasgada quanto a isso. É como eu falo de vez em quando, o paraíso às vezes não é tão bonito assim.

      Obrigado pelo comentário Jorge.

      • Jorge Miashike

        Puxa vida Nesman, sua paixão por games tem que ser muito grande mesmo para ainda querer jogar.

  • http://twitter.com/oldschool_gamer Old School Gamer © ✔

    Excelente texto André. Me lembro quando conversamos a respeito disso. Nunca vivi dos games, mas quando passei a vender algumas coisas pelo Mercado Livre, tive muitas dores de cabeça e se eu dependesse disso pra comer… tava com fome até hoje…

    • Andre Nesman

      Salve João. Obrigado msm. Realmente é meio complicado trabalhar com games, e ter que passar por altos e baixos sem se estressar é difícil. Mas continuo tentando, e veremos até onde conseguirei chegar.

      Abraço João!!!

  • http://twitter.com/GamerCaduco Gamer Caduco

    André, eu tinha salvo esse texto pra ler algum dia e me esqueci, acabei me lembrando ao ler um desabafo seu no Twitter.
    Uma coisa que vc falou e eu sempre pensei foi essa parte de ter que jogar os jogos mais infantis ou chatos pra poder explicar as coisas pros clientes e tudo mais, acho que é o mesmo que acontecia com quem escrevia em revistas ou era atendente daquelas Hot Lines da vida.
    Como tudo na vida, tudo tem seus prós e contras, né? É legal poder misturar hobby e trabalho, meio que fiz isso entrando na área de informática, mas tem uma hora que até o que vc gosta cansa muito e irrita. No meu caso, sou o “cara que conhece de computadores”, então me pedem cada favor que dá vontade de se jogar da ponte (muita coisa nem tem a ver com o que faço e conheço). Acho que consigo entender o que vc sente quando te abordam com perguntas sobre os jogos. Ônus do ofício.
    Agora esse lance de colecionar é algo de invejar quem não trabalha com jogos e quer tentar manter uma coleção… tipo eu! huahahuahua. Enfim, bônus do ofício. :)
    Mas sempre quis trabalhar com jogos também, ainda sonho com isso. No caso, em desenvolvimento. Quem sabe um dia?
    Bom, aguardo o próximo capítulo!

    • Andre Nesman

      Bom, qdo eu era mais novo, sempre achava o trabalho dos editores de revistas de games e Hot Lines o melhor que tinha, pois o trabalho era só jogar o dia inteiro, e queria ser como eles. Hoje em dia eu entendo que tudo o que a gente faz demais acaba se cansando, como acontece com os games que a gente gosta, onde jogamos até o cu fazer bico e depois se cansa. Ao mesmo tempo, eu imagino hoje em dia como era difícil o trabalho deles, principalmente para informar dicas daquele jogo que eles odiavam ter que jogar forçadamente. Trabalhar com games existem os prós e contras, e imprevisívelmente os dois irão falar mais alto a qualquer momento. Logicamente o lado do colecionismo é um grande lado pró quando se trabalha com games, e você acaba adquirindo cada ítem que jamais imaginaria.

      Bom, você falou em trabalhar na área de desenvolvimento, e já eu nunca me imaginei trabalhando na produção de um game, simplesmente pelo fato de ter que ficar pacientemente concentrado anos em um game, algo que não teria cabeça pra isso. rsrss….

      Obrigado pelo comentário e aguarde os próximos posts, pois tenho muito o que desabafar.
      Abraço!!!

  • Joanilson Santos

    Ótimo texto,André.Realmente,ao analisar os rumos que o negócio com games tomou,a coisa não deve ser nada fácil.Mas veja pelo lado bom,vc faz aquilo que gosta e o fato da loja estar com mais de 4 anos é algo muito encorajador.Parabéns,parceiro.

  • http://twitter.com/LarissaHet Larissa Hetfield

    ‘ ‘/ Acho que cheguei um pouco atrasada nesse site ^^
    Gosteii muito do Post de André Nesman. Mas de qualquer forma, eu queria perguntar…. Eu gostaria muito de trabalhar em uma loja de games, porque é o que eu gosto de fazer. Tenho 15 anos. Séria tão ruim esse outro lado da moeda para mim também ? Obrigado

Game Sênior N° 020
Game Sênior Entrevista #06 Taylor Ponto
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